O povo brasileiro jamais o esquecerá. Você está na história do Brasil como o presidente que liquidou com a inflação. O presidente do Plano Real. Você nos deixa um exemplo de vida quer no plano pessoal, quer no plano político, pautado sempre na honradez, na ética e no respeito aos ideais republicanos.

Você se foi e nos deixou fisicamente, mas deixou-nos o seu legado, intransigentemente radical, de probidade pessoal e de respeito às leis e à democracia. Tive a honra e o privilégio do contato pessoal e político com você. Lembro-me, jovem ainda, nos idos dos anos 70, em ser recebido por você no seu gabinete no Senado. Um gabinete aberto ao povo. Lembro-me daquela noite, no segundo semestre de 1988, quando, do aeroporto dos Guararapes, em Recife, liguei para a sua casa em Brasília e perguntei-lhe se aceitaria ser candidato a vice-presidente do governador de Alagoas Fernando Collor pelo Partido da Juventude (PJ).

Ainda escuto a risada carinhosa que você deu perguntando-me com mais carinho ainda: “mas Daniel, pelo Partido da Juventude!!”. E prontamente descartou a idéia. Não me dei por vencido e perguntei se podia ir a Brasília conversar sobre o assunto, e você me respondeu que ir visitá-lo, como eu costumava fazer, podia, mas que não teria a menor hipótese de convencê-lo a participar desse projeto.

Lembro-me, emocionado, daquela sexta-feira, já em 1989, último dia do prazo de filiação partidária, quando eu, Arnaldo Faria de Sá, Hélio Costa, José Carlos Martinez e Lázaro Barbosa insistimos, junto a você, para que assinasse as fichas de filiação, pois eu ainda teria que levá-las ao Cartório Eleitoral em Juiz de Fora. Você, com aquele jeito mineiro, relutava e dizia que estava pensando.

Finalmente você assinou as quatro fichas (oito assinaturas!). Lembro-me que já passava das 16hs e de ter ligado para o Cartório Eleitoral lá em Juiz de Fora, suplicando à responsável que não fechasse o expediente antes que eu lá chegasse com as fichas de filiação do senador Itamar Franco. Lembro-me muito bem, do desespero que se apossou de mim quando o piloto do king Air comunicou que não daria para pousar em Juiz de Fora, por causa do horário. E que a alternativa seria pousar em Barbacena.

Não pensei duas vezes: liguei para o prefeito Alberto Bejane, do PJ, e pedi que mandasse um carro me pegar em Barbacena. Tudo deu certo e você, Itamar, para o bem do Brasil, tornou-se presidente da República.